Um dia, voltar a nadar no Guaíba.
Estou construindo um barco pequeno e barato, pilotado da margem pelo celular, que coleta a água no ponto certo e registra onde, quando e o que os sensores mediam. Para descobrir, ponto a ponto, onde a água está boa e onde não está.
O lago
O Guaíba é o coração de Porto Alegre. Em Ipanema, a orla tem calçadão, pôr do sol e muita gente olhando a água.
Mas em boa parte da orla urbana nadar costuma não ser recomendado, e quase nunca se sabe por quê, nem onde a água piora.
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O monitoramento oficial cobre pontos fixos. Entre eles, e logo depois das chuvas, pouco se sabe.
Saídas pluviais que podem levar esgoto estão espalhadas pela orla, e o que sai delas muda a cada chuva. Coletar com lancha e equipe custa caro, então as coletas são raras e cobrem poucos pontos.
A ideia: um barco de canos
Um barco de cerca de um metro, feito de canos de PVC, que desmonta e cabe num baú de moto e numa mochila. Sem peça cara: motores de bomba de porão, duas plaquinhas ESP32 e sensores simples.
- Sensores temperatura, condutividade e turbidez, mergulhados na água.
- Casco 4 flutuadores de cano de PVC, 40 cm cada, que desmontam.
- Motores 2 bombas de porão adaptadas, com hélice.
- Caixa estanque 2 ESP32 (motor e ciência) e a bateria.
- GPS registra onde cada frasco foi coletado.
- Bombas e frascos cada frasco tem sua bomba e enche no ponto escolhido.
- Cabo de amarração nos testes, o barco fica sempre preso à margem.
Como funciona
Planejar no mapa
Os pontos de coleta são marcados num mapa do Guaíba, perto das saídas pluviais e em pontos de referência.
Ir e medir
O barco vai até o ponto, pilotado pelo celular. Quando a leitura dos sensores muda perto de uma saída, dá para seguir a mudança até onde ela é mais forte.
Coletar e registrar
Pequenas bombas enchem os frascos no ponto escolhido. Cada frasco ganha uma ficha e segue para análise.
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O software já está pronto e testado em simulador. Demo interativa com dados simulados: em breve.
Por que o barco coleta
Antes de construir, fui ver o que os estudos dizem sobre encontrar esgoto na água. Cada achado virou uma decisão do projeto.
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no ponto certo
Sensores simples guiam até a pluma
Temperatura, condutividade e turbidez tendem a mostrar plumas concentradas perto das saídas pluviais, em tempo seco. É o que o barco precisa para chegar ao lugar certo de coletar.
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R² 0,85
A garrafa faz o trabalho fino
A fluorescência é o sinal de esgoto com mais evidência em água aberta. Medida na amostra filtrada, em bancada, ela acompanhou as bactérias fecais muito melhor (R² 0,85) do que uma sonda dentro da água turva (até 0,5).
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sem sonda cara
Barato onde dá, preciso onde importa
Em vez de uma sonda importada de US$ 1.600 a 7.500, que ainda sofre com água turva como a do Guaíba, o barco leva sensores baratos e traz a amostra para quem mede com precisão.
E abre uma pesquisa nova: sensores de fluorescência baratos já funcionam em água potável, mas ainda não foram testados num barco em lago turvo. Esse é um dos objetivos da Etapa 3.
Fontes: estuário do rio Tijuana, estudo 1 e estudo 2; Khamis et al., 2015; manual de descarte ilícito (NEIWPCC/EPA).
Um frasco, uma ficha
Um frasco de água sem registro vale pouco. Cada amostra que o barco coleta sai com uma ficha: o ponto exato, a hora, o que os sensores mediam e o contexto, como a chuva das horas anteriores.
É triagem, não laudo: o barco aponta onde vale coletar e entrega amostras bem registradas. Quem confirma é a análise de laboratório.
FRASCO 02
- Data
- 2026-09-14 16:31
- Local
- -30.13846, -51.23072
- Temp.
- 22,4 °C
- Condut.
- 310 µS/cm
- Turb.
- 61 NTU
- Contexto
- 6 h após chuva
- Nota
- ponto mais alto da pluma
- Destino
- laboratório
Para quem vive a orla
A água da orla é de quem mora, rema, veleja e caminha ali. O que o barco descobrir volta para essas pessoas.
- Dados abertosOs dados e os mapas vão ser publicados abertamente, para qualquer pessoa consultar cada ponto e cada frasco.
- Achados para quem pode agirQuando a coleta apontar um problema, ele vai aos órgãos responsáveis pelos canais oficiais, com a ficha de cada frasco. O mapa aberto mostra se a água melhorou.
- Conversa abertaApresentar os resultados a moradores e clubes náuticos, e ouvir o que eles veem na água.
- Segurança primeiroTestes amarrados, perto da margem e supervisionados, dentro das regras da autoridade marítima.
Etapas do projeto
Como num jogo: cada etapa destrava a próxima. E cada uma só começa quando a anterior responde à sua pergunta.
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Etapa 0concluída
Software e primeiras conversas
O controle pelo celular, os sensores, o coletor e o mapa, testados em simulador. Consulta à Prefeitura e à Capitania Fluvial sobre as regras para operar no lago.
- Destrava
- Tudo o que vem depois já tem o programa pronto.
- Custo estimado
- R$ 0
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Etapa 1próxima
Primeiro barco na água
Teste à mão a partir de um píer, o barco mínimo (sempre amarrado e supervisionado) e de 10 a 20 amostras confirmadas em laboratório.
- Destrava
- Saber se o barco aponta os lugares certos e publicar o primeiro mapa aberto da orla.
- Custo estimado
- cerca de R$ 5 mil
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Etapa 2trancada
Barco autônomo
O barco percorre os pontos sozinho e coleta logo depois da chuva, quando importa mais.
- Destrava
- Coletas regulares ao longo da orla, com menos gente e menos custo.
- Custo estimado
- cerca de R$ 25 mil
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Etapa 3trancada
Lixo e novas pesquisas
Câmera para mapear o lixo flutuante, um recolhedor guiado pelo mapa, um sensor de fluorescência barato feito para água turva e, talvez, sonar para medir o assoreamento perto de clubes e marinas.
- Destrava
- Cuidar da água por inteiro: o esgoto, o que boia e o fundo.
- Custo estimado
- cerca de R$ 40 mil
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Um diaobjetivo final
Nadar no Guaíba
Sabendo onde a água está boa.
Valores estimados a partir de lojas e laboratórios brasileiros, sem salário.
Quem faz
Sou Leonardo Cruz, desenvolvedor de software há 5 anos, com experiência full stack, e morador da Zona Sul de Porto Alegre. Sempre gostei muito de praia, e desde pequeno olho para a praia de Ipanema com a mesma vontade: poder entrar na água.
Este projeto junta as duas coisas. Faço de forma independente, com o que sei fazer: firmware, aplicações web e mapas. Não sou cientista da água, por isso busco quem é, para guiar a coleta e a análise das amostras.
Vamos conversar
Procuro pesquisadores, laboratórios e clubes náuticos para fazer isso junto, e apoio para os materiais das próximas etapas.
leonardo.m.cruz [arroba] hotmail.com