Barco amostrador do Guaíba English
Caderno de campo · Orla de Ipanema, Porto Alegre

Um dia, voltar a nadar no Guaíba.

Estou construindo um barco pequeno e barato, pilotado da margem pelo celular, que coleta a água no ponto certo e registra onde, quando e o que os sensores mediam. Para descobrir, ponto a ponto, onde a água está boa e onde não está.

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O lago

O Guaíba é o coração de Porto Alegre. Em Ipanema, a orla tem calçadão, pôr do sol e muita gente olhando a água.

Mas em boa parte da orla urbana nadar costuma não ser recomendado, e quase nunca se sabe por quê, nem onde a água piora.

foto da orla de Ipanemaimg/orla-ipanema.jpg
Orla de Ipanema, no Guaíba, em Porto Alegre
Orla de Ipanema, Zona Sul de Porto Alegre. Foto: Pedro Piegas/PMPA

O monitoramento oficial cobre pontos fixos. Entre eles, e logo depois das chuvas, pouco se sabe.

Saídas pluviais que podem levar esgoto estão espalhadas pela orla, e o que sai delas muda a cada chuva. Coletar com lancha e equipe custa caro, então as coletas são raras e cobrem poucos pontos.

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A ideia: um barco de canos

Um barco de cerca de um metro, feito de canos de PVC, que desmonta e cabe num baú de moto e numa mochila. Sem peça cara: motores de bomba de porão, duas plaquinhas ESP32 e sensores simples.

~1 m 1 2 3 4 5 6 7
  1. Sensores temperatura, condutividade e turbidez, mergulhados na água.
  2. Casco 4 flutuadores de cano de PVC, 40 cm cada, que desmontam.
  3. Motores 2 bombas de porão adaptadas, com hélice.
  4. Caixa estanque 2 ESP32 (motor e ciência) e a bateria.
  5. GPS registra onde cada frasco foi coletado.
  6. Bombas e frascos cada frasco tem sua bomba e enche no ponto escolhido.
  7. Cabo de amarração nos testes, o barco fica sempre preso à margem.
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Como funciona

  1. Planejar no mapa

    Os pontos de coleta são marcados num mapa do Guaíba, perto das saídas pluviais e em pontos de referência.

  2. Ir e medir

    O barco vai até o ponto, pilotado pelo celular. Quando a leitura dos sensores muda perto de uma saída, dá para seguir a mudança até onde ela é mais forte.

  3. Coletar e registrar

    Pequenas bombas enchem os frascos no ponto escolhido. Cada frasco ganha uma ficha e segue para análise.

print do mapa do painelimg/demo-mapa.png
Mapa do painel web com as leituras do barco
O painel: as leituras do barco no mapa.
print do controle no celularimg/demo-controle.png
Tela do celular com o controle do barco
Se a conexão cair, o barco para sozinho.
print dos sensores e do coletorimg/demo-coletor.png
Tela com as leituras dos sensores e o botão de coletar
Sensores ao vivo e o botão de coletar.

O software já está pronto e testado em simulador. Demo interativa com dados simulados: em breve.

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Por que o barco coleta

Antes de construir, fui ver o que os estudos dizem sobre encontrar esgoto na água. Cada achado virou uma decisão do projeto.

  1. no ponto certo

    Sensores simples guiam até a pluma

    Temperatura, condutividade e turbidez tendem a mostrar plumas concentradas perto das saídas pluviais, em tempo seco. É o que o barco precisa para chegar ao lugar certo de coletar.

  2. R² 0,85

    A garrafa faz o trabalho fino

    A fluorescência é o sinal de esgoto com mais evidência em água aberta. Medida na amostra filtrada, em bancada, ela acompanhou as bactérias fecais muito melhor (R² 0,85) do que uma sonda dentro da água turva (até 0,5).

  3. sem sonda cara

    Barato onde dá, preciso onde importa

    Em vez de uma sonda importada de US$ 1.600 a 7.500, que ainda sofre com água turva como a do Guaíba, o barco leva sensores baratos e traz a amostra para quem mede com precisão.

E abre uma pesquisa nova: sensores de fluorescência baratos já funcionam em água potável, mas ainda não foram testados num barco em lago turvo. Esse é um dos objetivos da Etapa 3.

Fontes: estuário do rio Tijuana, estudo 1 e estudo 2; Khamis et al., 2015; manual de descarte ilícito (NEIWPCC/EPA).

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Um frasco, uma ficha

Um frasco de água sem registro vale pouco. Cada amostra que o barco coleta sai com uma ficha: o ponto exato, a hora, o que os sensores mediam e o contexto, como a chuva das horas anteriores.

É triagem, não laudo: o barco aponta onde vale coletar e entrega amostras bem registradas. Quem confirma é a análise de laboratório.

exemplo

FRASCO 02

Data
2026-09-14 16:31
Local
-30.13846, -51.23072
Temp.
22,4 °C
Condut.
310 µS/cm
Turb.
61 NTU
Contexto
6 h após chuva
Nota
ponto mais alto da pluma
Destino
laboratório
06

Para quem vive a orla

A água da orla é de quem mora, rema, veleja e caminha ali. O que o barco descobrir volta para essas pessoas.

  • Dados abertosOs dados e os mapas vão ser publicados abertamente, para qualquer pessoa consultar cada ponto e cada frasco.
  • Achados para quem pode agirQuando a coleta apontar um problema, ele vai aos órgãos responsáveis pelos canais oficiais, com a ficha de cada frasco. O mapa aberto mostra se a água melhorou.
  • Conversa abertaApresentar os resultados a moradores e clubes náuticos, e ouvir o que eles veem na água.
  • Segurança primeiroTestes amarrados, perto da margem e supervisionados, dentro das regras da autoridade marítima.
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Etapas do projeto

Como num jogo: cada etapa destrava a próxima. E cada uma só começa quando a anterior responde à sua pergunta.

  1. Etapa 0concluída

    Software e primeiras conversas

    O controle pelo celular, os sensores, o coletor e o mapa, testados em simulador. Consulta à Prefeitura e à Capitania Fluvial sobre as regras para operar no lago.

    Destrava
    Tudo o que vem depois já tem o programa pronto.
    Custo estimado
    R$ 0
  2. Etapa 1próxima

    Primeiro barco na água

    Teste à mão a partir de um píer, o barco mínimo (sempre amarrado e supervisionado) e de 10 a 20 amostras confirmadas em laboratório.

    Destrava
    Saber se o barco aponta os lugares certos e publicar o primeiro mapa aberto da orla.
    Custo estimado
    cerca de R$ 5 mil
  3. Etapa 2trancada

    Barco autônomo

    O barco percorre os pontos sozinho e coleta logo depois da chuva, quando importa mais.

    Destrava
    Coletas regulares ao longo da orla, com menos gente e menos custo.
    Custo estimado
    cerca de R$ 25 mil
  4. Etapa 3trancada

    Lixo e novas pesquisas

    Câmera para mapear o lixo flutuante, um recolhedor guiado pelo mapa, um sensor de fluorescência barato feito para água turva e, talvez, sonar para medir o assoreamento perto de clubes e marinas.

    Destrava
    Cuidar da água por inteiro: o esgoto, o que boia e o fundo.
    Custo estimado
    cerca de R$ 40 mil
  5. Um diaobjetivo final

    Nadar no Guaíba

    Sabendo onde a água está boa.

Valores estimados a partir de lojas e laboratórios brasileiros, sem salário.

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Quem faz

Sou Leonardo Cruz, desenvolvedor de software há 5 anos, com experiência full stack, e morador da Zona Sul de Porto Alegre. Sempre gostei muito de praia, e desde pequeno olho para a praia de Ipanema com a mesma vontade: poder entrar na água.

Este projeto junta as duas coisas. Faço de forma independente, com o que sei fazer: firmware, aplicações web e mapas. Não sou cientista da água, por isso busco quem é, para guiar a coleta e a análise das amostras.

Leonardo

Vamos conversar

Procuro pesquisadores, laboratórios e clubes náuticos para fazer isso junto, e apoio para os materiais das próximas etapas.

leonardo.m.cruz [arroba] hotmail.com